Abhyanga como fazer: o óleo certo para cada dosha, a direção dos movimentos, o preparo da digestão e os cuidados depois da massagem.
Se a sua dúvida é Abhyanga, como fazer, o caminho é simples: aqueça o óleo, escolha o tipo certo para o seu corpo e espalhe uma quantidade generosa por todo o corpo, com movimentos que mantêm você aquecido. Depois da massagem, nada de vento, friagem ou dormir com o óleo na pele. O resto é ajustar três pontos: o óleo, a direção dos movimentos e o estado da sua digestão.
A Abhyanga é a massagem tradicional do Ayurveda feita com óleo. Na prática, é untar o corpo inteiro. Pense em meio copo de óleo sendo aplicado: ninguém conseguiria digerir essa quantidade pelo estômago, mas pela pele a absorção é diferente. A massagem é vista como um alimento para o corpo, com propriedades semelhantes a um super alimento.
Esse óleo precisa ser digerido, ou seja, transformado em tecido. E é daí que vêm todos os cuidados de antes, durante e depois.
Não é preciso estar com fome, mas o corpo precisa estar pronto para digerir o óleo. Se você acabou de comer algo pesado, como um pão de queijo recheado com requeijão e um café com leite, a digestão da massagem fica comprometida. O ideal é estar com o estômago leve, talvez depois de uma panaceia ou de uma água quente. A panaceia serve para aumentar o Agni (o fogo digestivo), a energia e a fome.
O primeiro cuidado com o óleo é que ele esteja quente. O calor influencia diretamente o seu fogo digestivo.
Use uma quantidade generosa e não esqueça de nenhuma parte:
Os movimentos devem manter o corpo aquecido, para que o óleo derreta e penetre na pele. É uma experiência muito prazerosa.
Aqui está o detalhe que muda o resultado. A massagem pode ir do meio do corpo para as extremidades ou das extremidades para o meio, e cada direção tem um efeito:
Uma direção acrescenta tecido, a outra ajuda a remover.
A escolha do óleo depende das propriedades de cada corpo.
Atenção ao óleo de coco: para quem tem predominância de Vata, é a pior escolha. Ele é frio e ressecante; passado no dedo, mostra uma textura arenosa. Evite o óleo de coco em períodos frios e em corpos Vata.
A Abhyanga é quente, e o corpo precisa continuar quente depois dela. Não pegue vento nem friagem: a pele consegue digerir o óleo, mas com frio o Agni da pele não dá conta.
Também não durma com o óleo no corpo. O óleo não evapora e troca muito com o ambiente, fazendo você perder calor. Em algum momento da madrugada, às duas ou às quatro da manhã, o frio do ambiente pode vencer o calor do seu corpo. É o mesmo raciocínio de quem molha a cabeça e vai dormir.
A massagem mobiliza toxinas que estavam paradas e exige um esforço extra dos sistemas linfático, digestivo e excretor. Por isso, ela não é indicada quando o corpo já está sobrecarregado:
Quem está com a saúde em dia pode se beneficiar da Abhyanga. Ela só deve ser feita em quem tem o dosha acumulado. E ela move os doshas. Com o dosha agravado, com excesso de Ama e sem Agni, não se faz a Abhyanga.
Depois de uma boa Abhyanga, você pode notar que elimina dejetos em grande quantidade, percebe um odor diferente e até começa a suar mais. Em três dias, você pode sentir mais força, mais fome e um sono de melhor qualidade. Outros efeitos aparecem com a prática: sensação de preenchimento, brilho na pele, melhora nas excreções e mais disposição.
Feita com regularidade, a massagem tem um efeito comparável ao de uma boa alimentação ayurvédica e de boas rotinas no cuidado dos doshas. Uma massagem por semana, ao longo de um ano, transforma o corpo.